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TU-BARÃO

Órgão de opinião própria sem periodicidade e com muita vontade de emitir opiniões sobre o nosso quotidiano

TU-BARÃO

Órgão de opinião própria sem periodicidade e com muita vontade de emitir opiniões sobre o nosso quotidiano

27.07.15

Texto do meu amigo Bruno Carvalho que partilho pois sou benfiquista mas não sou parvo...................


O Benfica especializou-se, há muito, diga-se em abono da verdade, em comunicar, em fantasiar a realidade e em criar um clima de propaganda permanente.

A verdade é que Luís Filipe Vieira, coadjuvado por João Gabriel, sempre soube passar uma mensagem que tem tanto de hipócrita e demagógica como de eficaz.

Só assim se explica que passados 15 anos ainda se fale das “pedras da calçada” ou de Vale e Azevedo.

Ora se a política de comunicação do Benfica já era tremendamente eficaz num cenário em que o Benfica pouco ou nada ganhava, ela tornou-se avassaladora e esquizofrénica num contexto de dois anos consecutivos muito bem sucedidos no futebol e num ano em que o Clube foi dominador nas modalidades.

Assim, e neste contexto, Luís Filipe Vieira é apresentado como o homem que, sem sombra de dúvida, fez renascer o Benfica e que tem uma visão de futuro para o futebol português, sendo mesmo apontado, espante-se, como o seu verdadeiro ideólogo.

A verdade é que as vitórias deixaram muita gente confusa e com o cérebro enevoado.

Veremos, então, se Vieira fez, de facto, renascer o Benfica e que futuro e legado nos deixa a nós Benfiquistas.

- O Património

Não é verdade que quando Vieira chegou ao Benfica apenas existissem as “pedras da calçada”.

Não me vou alongar porque todos sabem o que o Benfica tinha ou se não sabem deveriam saber.

No entanto, não é menos verdade que Vieira, dando de barato que o estádio foi construído por ele e não por Manuel Vilarinho, fez uma profunda e significativa remodelação das infraestruturas do Benfica das quais se destacam o estádio, um centro de formação moderno e um museu que enche de orgulho qualquer Benfiquista.

O que não é dito aos Benfiquistas é que o custo líquido de toda esta obra não excede os 100 milhões de euros e que o passivo passou de 80 para perto dos 500 milhões.

O que não é dito aos Benfiquistas é que o que foi feito não foi pago, sobretudo o estádio cujo “project finance” previa que devia estar totalmente pago em 2013 e está quase todo por pagar.

Como os portugueses bem sabem e sentem-no todos os dias nos seus bolsos, o difícil não é mandar construir auto-estradas, TGVs ou aeroportos.

O difícil é pagar as coisas que se mandaram fazer.

E o que Vieira fez foi tão e somente mandar fazer (se não considerarmos o papel de Vilarinho), esquecendo-se da parte mais importante: pagar.

Já nem quero ir à escolha da empresa que foi seleccionada para construir o Seixal - a Britalar – cujo dono é o Presidente do Braga com quem Vieira parece ter forte amizade e negócios em conjunto.

- O Passivo

Num país que era dominado por um só homem, Vieira e o Benfica tinham crédito quase ilimitado no BES.

Não admira, pois as contas do BES eram todas falsificadas e por isso dinheiro não era um problema.

Até se saber o que era realmente o BES, eu fartei-me de avisar e manifestei a estranheza em como era possível que essa torneira de crédito fácil estivesse permanentemente aberta.

Hoje é fácil de perceber.

A teia de relações pessoais e de controlo de tudo gizada por Ricardo Salgado baseava-se em dinheiro falso, inexistente.

Assim, era fácil emprestar todo o dinheiro que Vieira quisesse para o Benfica.

Também neste âmbito não quero explorar os negócios em conjunto que aparentemente Vieira e Ricardo Salgado têm.

O grave desta situação é que alguém vai ter, um dia, que pagar as gigantescas dívidas do Benfica.

Na primeira parte da peça de propaganda nunca antes vista, assinada por Nuno Luz, via-se Vieira contar a um acéfalo “jornalista” que quando chegou ao Benfica encontrou um monte gigante de facturas e fazia o gesto da altura da pilha.

Pois... agora as dívidas medem-se pela altura do molhe de facturas?

Pois esse enorme monte de facturas totalizava 80 milhões de euros e agora, com a casa arrumada, com o Benfica em ordem e com o milagre financeiro apenas há um pequeno montinho de facturas por pagar.

O problema é que esse monte pequenino totaliza quase 500 milhões.

Parece mentira, mas o Passivo do Benfica é maior do que o do Barcelona que dispõe de jogadores como Messi, Neymar ou Suarez.

Foi o brilho das vitórias que apagou o cérebro de Nuno Luz e de tantos outros que fazem comentários sobre o Benfica?

Bem sei que a propaganda é grande, mas um jornalista é um profissional e deve tentar distinguir a propaganda barata da verdade dos factos.

- A Benfica TV

A Benfica TV foi algo proposto por mim ao Benfica em 2004.

Evidentemente acho a Benfica TV uma excelente ideia e uma ferramenta eficaz para o Benfica chegar aos seus sócios e simpatizantes e ajudar o clube a atingir os seus objectivos.

Dito isto, a Benfica TV tem sido um projecto propositadamente envolvo num manto de névoa.

Em bom rigor, ninguém sabe os resultados em termos económicos da Benfica TV.

O Benfica tinha uma proposta da Sport TV de 22,2 milhões pelos direitos dos seus jogos em casa para a Liga.E agora, lucra quanto?

Uma estimativa fria de alguém que está no mercado há uns anos diz-me que o Benfica deve lucrar cerca de metade daquilo que receberia se tivesse vendido os seus direitos.

É possível que esse fosse o preço a pagar para diminuir o peso da Sport TV que era, no entendimento de muitos, um projecto que ajudava a perpetuar um ciclo podre do futebol português, marcado pela corrupção e por um domínio avassalador do Porto, mas cujas vitórias soavam a sujidade.

Todos os Benfiquistas entenderiam tudo isto se a Direcção fosse clara.

Mas o Benfica não diz quais são os resultados da sua operação de televisão.

Fica aqui um alerta: com a centralização de direitos, que levará o Benfica de novo para a Sport TV e com a Liga Inglesa a ficar previsivelmente na Sport TV a partir da época 2016/17, parece-me que o projecto Benfica TV ficará muito comprometido a partir do verão do próximo ano, a não ser que o Benfica ache que os Benfiquistas vão pagar 10 euros por mês para ver a Liga Francesa e Italiana.

- As transferências e a redução do Passivo

Uma ideia que se gosta de passar de Vieira e que o “jornalista” da SIC Nuno Luz tentou passar com insistência é de que Vieira é um feroz negociador e que vê valor onde mais ninguém consegue vislumbrar.

Deve ser por esse motivo, por ver valor onde mais ninguém vê, que Vieira comprou o guarda-redes Roberto por 8,5 milhões de euros quando pediam por ele um valor a rondar os 3,5 milhões.

Estranhamente Roberto acaba por ser vendido por um incrível valor de 8,6 milhões depois de actuações muitas vezes a roçar o ridículo.

Da mesma forma, estranho foi o negócio de Pizzi que foi comprado pelo Atlético de Madrid ao Braga por uns surpreendentes 13,5 milhões.

Pizzi acabou no Benfica, tendo sido dado Roberto como pagamento de 50% do passe de Pizzi, tendo-se, na altura sabido, que, afinal, Roberto não tinha nada sido vendido pelos tais 8,6 milhões.

Uma trapalhada!

Interessante no mínimo a ponte que sempre há, desde há uns anos, entre o Benfica, Braga e Atlético de Madrid que ninguém parece reparar.

Mas Nuno Luz não lembrou disto nem tentou pesquisar qual a relação entre os três clubes ou a relação da actividade dos três presidentes que poderão originar situações como estas.

Nuno Luz não se lembrou, também, de perguntar ao grande negociador Vieira como foi possível vender Garay por 6 milhões, se acreditarmos que o negócio foi mesmo assim, o que muitos duvidam.

Nuno Luz não se lembrou, igualmente, de tentar procurar saber o saldo entre as compras e vendas de Vieira ao longo de todos estes anos.

Seria importante notar que o completamento desmantelamento da equipa do Benfica e a venda de alguns dos melhores das suas jovens promessas permitiu ao Benfica baixar o passivo somente 40 milhões.

É muito pouco para tanta venda e para tanto génio negocial.

- O número de sócio

Na construção da imagem de Vieira feita por alguns jornalistas de pacotilha ou de alguns mensageiros de facebook sempre com interesses mais ou menos escondidos no Benfica, nunca ninguém cuidou de saber se o número de sócio de Vieira é ou não verdadeiro.

Não são dois campeonatos seguidos que transformam um número de sócio em algo autêntico.

As legítimas suspeitas que há acerca do número de Vieira nunca foram esclarecidas pelo próprio Presidente do Benfica e nunca houve um único jornalista com coragem ou interesse em investigar.

Claro que não seria Nuno Luz a fazê-lo.

- Os estatutos e o voto electrónico

O Benfica foi arrastado por Vieira para uns estatutos impensáveis e nada condizentes com o passado democrático do Benfica.

O papel dos sócios é absolutamente subalterno.

Os sócios podem chumbar umas contas e a Direcção nem sequer obrigação de as submeter a nova votação tem.

E os sócios votam através de um sistema electrónico sem comprovativo físico o que não permite qualquer recontagem dos votos e lança todas as suspeitas sobre o resultado eleitoral a quem tiver dois dedos de testa.

Este voto electrónico é agora usado não só para a eleição dos corpos sociais, mas também em todas as AGs.

Desta forma, até no voto, os sócios foram secundarizados e os resultados serão sempre, no mínimo, altamente questionáveis.

- Conclusão

Ao contrário do que a vasta maioria parece sentir, e ao contrário do que Nuno Luz e muita imprensa quer fazer passar, a liderança de Vieira não me parece nada positiva.

É verdade que o Benfica nos últimos 15 anos modernizou o seu património e recuperou, recentemente, a competitividade perdida.

Não há dúvida sobre isso.

Mas fê-lo com dinheiro fácil e atingindo valores absurdos de dívida que um dia alguém terá que pagar.

Mesmo o sucesso desportivo é ainda muito despiciente.

No melhor ciclo dos últimos anos que o ego de Vieira resolveu interromper - os 6 anos de Jesus - a verdade é que o Benfica ganhou o mesmo número de campeonatos que o Porto.

E fê-lo à força bruta do dinheiro que nunca mais chegará à Luz com a facilidade do passado recente.

Dinheiro esse que não se percebe como foi desbaratado e que foi usado numa teia muito pouco transparente envolvendo outros clubes como o Braga ou o Atlético de Madrid.

Dinheiro que se sente que hoje escasseia na Luz.

O elogiado sossego no mercado (apesar da compra de 10 ou 11 jogadores) é muito mais fruto de falta de capacidade financeira do que de algo planeado e pensado.

Sente-se que tudo o que mexe está à venda e se o Benfica transferir Gaitán veremos logo outra iniciativa no mercado.

Até agora, o que se viu foi uma passividade algo confrangedora, tendo o treinador, num erro histórico e inexplicável, mudado para um adversário directo e o lateral direito para outro adversário directo.

A par disso, assiste-se nos últimos tempos a uma lavagem da imagem de Vieira nunca vista com nenhuma outra pessoa em Portugal, passando-se por cima de uma passado muito pouco recomendável.

Na verdade, o Presidente que dizia que não falava nas vitórias desdobra-se em entrevistas.

Sinceramente, acho esta atitude muito estranha, mas deixo a outros a reflexão do que este comportamento indiciará.

A ideia que se pretende instalar que o Benfica e Vieira são quase a mesma coisa é profundamente perigosa e inquietante.

E mais, o Benfica não deve ser usado como escudo protector de ninguém.

Não nos esqueçamos que dois dos principais amigos dos negócios de Vieira, um faliu a sua empresa – a Britalar - e o outro está em prisão domiciliária desde a passada sexta-feira.

Repito, porque é importante reter este ideia: Vieira e o Benfica não são a mesma coisa.

Fica feito o aviso que deve ser levado muito a sério por quem gosta do Benfica.

Finalmente, deixo o convite, inútil é certo, que os jornalistas mais respeitáveis, da área de desporto ou não, usem a cabeça e tenha sentido crítico.

Sinceramente, eu já não acredito que tal seja possível.

Bruno Carvalho

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