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TU-BARÃO

Órgão de opinião própria sem periodicidade e com muita vontade de emitir opiniões sobre o nosso quotidiano

TU-BARÃO

Órgão de opinião própria sem periodicidade e com muita vontade de emitir opiniões sobre o nosso quotidiano

09.11.15

Esquerda, Direita, op ………….


1 - Esquerda

Finalmente existe acordo.

Cavaco Silva sempre tão criticado (até por mim) esteve muito bem ao convidar Pedro Passos Coelho para formar governo, mesmo que o governo seja um “nado-morto”.

Os acordos agora anunciados, que são três, levaram um mês a serem negociados e Portugal não podia estar nesta indecisão perante a comunidade internacional.

Mas voltemos (como diz o outro) ao início: António Costa vai ter muito que penar. As eleições foram em 4 de Outubro e os partidos de esquerda passaram um mês a discutir quais as medidas a implementar até chegarem a acordo. Aliás, como quer a esquerda apresentar-se unida se nem um único acordo assinado por todos consegue apresentar, sendo necessária a apresentação de 3 acordos.

Mais, querem todos (os Verdes são de outro campeonato) apresentar uma moção de censura para derrubar o actual governo, mas não se entendem para o fazer de uma forma única e concertada. Até crises de ciúmes são latentes entre o BE e o PCP relativamente ao entendimento com o PS……………..

Confesso que, defendendo sempre um governo com maioria parlamentar, tenho é sérias dúvidas que este próximo governo vá ter a duração de toda a legislatura.

Estamos perante um novo ciclo na democracia portuguesa desde que a mesma foi implementada em 1974. Nunca o PCP assumiu o compromisso, perante o país, de ser o suporte de uma governação. Sabemos todos a força que este mesmo partido tem em algumas estruturas de Portugal como as autarquias e os sindicatos e confesso um pouco de ansiedade, da minha parte, de como irá o mesmo partido gerir as lutas de rua com o apoio de secretária. Percebo que as últimas eleições trouxeram um dado novo, ao dar ao BE um maior número de votos do que aquele que foi dado ao PCP e que Catarina Martins soube assumir muito bem, ao ter o tal protagonismo, que agora o PCP critica pela voz do seu secretário-geral.

Só assim se percebe e se entende, este voto por unanimidade do comité central, o PCP é dos parceiros do PS o que tem mais a perder.

Mas qualquer um deles, tanto o bloco, como o partido comunista, vai ter de viver o tempo que o governo de António Costa durar, sem poder usar o habitual discurso de ruptura.

2 - Direita

Quem chega a deputado acha, na grande maioria dos casos, que nada mais está acima dele. Não se percebe aliás por que razão ainda “se escondem atrás da sempre agradável imunidade parlamentar” para não serem tratados como qualquer português numa simples operação policial.

Recentemente, pela madrugada, no Porto, um deputado do PSD, de seu nome Miguel Santos, é mandado parar numa simples operação STOP.

Ao ser confrontado pelos agentes para efectuar um teste de álcool, o mesmo deputado recusa-se, invocando a tal situação de conforto: imunidade parlamentar. Segundo testemunho do próprio até nem bebe, mas permitam-me a pergunta: se não tinha nada para esconder porque resolveu a situação de modo a andar agora nos jornais e nas crónicas?

 

3 - Op………….

Segundo leio na imprensa do fim-de-semana, Ricardo Salgado viu a sua pensão mensal subir de 29 mil euros para 90 mil euros.

Segundo alguns: um escândalo.

Segundo outros: um atentado à dignidade humana face às dificuldades que os lesados do BES atravessam.

Segundo apurei, o regulador dos seguros deu a semana passada a opinião de que o Novo Banco deverá pagar esta reforma, assim como de outros 20 ex-gestores do BES, através do seu fundo de pensões.

Será que os lesados do BES também terão direito a ser ressarcidos pelo Novo Banco ou terão de esperar pelos tribunais, conforme o senhor primeiro-ministro sugeriu?

Por mim confesso que cheguei a uma altura da minha vida em que perco as estribeiras com estas faltas de senso, de ética e de valores.

Este senhor em vez de receber uma pensão milionária, não devia era estar a ser julgado pelos tribunais?

4 - Jorge Amado

Termino a minha crónica desta semana com uma citação de Jorge Amado, na sua obra Navegação de Cabotagem, e que dedico a alguns colectivistas da nossa praça:

“Pensar pela própria cabeça custa caro, preço alto. Quem se decidir a fazê-lo será alvo do patrulhamento feroz das ideologias, as de direita e as de esquerda e as volúveis: há de tudo e todas implacáveis. Ver-se-á acusado, xingado, caluniado, renegado, posto no pelourinho, crucificado. Ainda assim vale a pena, seja qual for o pagamento, será barato: a liberdade de pensar pela própria cabeça não tem preço que a pague.”

(Cronica de hoje na Radio Cruzeiro)