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TU-BARÃO

Órgão de opinião própria sem periodicidade e com muita vontade de emitir opiniões sobre o nosso quotidiano

TU-BARÃO

Órgão de opinião própria sem periodicidade e com muita vontade de emitir opiniões sobre o nosso quotidiano

28.01.14

António Figueiredo


 

O círculo não virtuoso


Há poucos dias em conversa com um amigo brasileiro, professor de Direito, e a fazer actualmente o doutoramento em Direito comunitário no nosso país, ele um devoto admirador de Portugal e do nosso Povo, desabafava eu sobre as desgraças e misérias de que tem sido alvo a minha geração. Não me queixava de Portugal bem pelo contrario, adoro o meu país e, a esse respeito, quer o meu passado quer o presente falam por mim. E, pasme-se, nem sequer ostracizava as pessoas que tem feito que nos governam nestes últimos já quase quarenta anos.

Dizia-lhe eu que tinha sido obrigado, como todos os jovens da minha idade, a partir para uma guerra em que a nação estava envolvida, a cumprir 43 meses de serviço no exército português, quase um quinto da minha existência àquela época, facto que tinha sido impeditivo de obter a minha licenciatura numa idade normal. Explicava-lhe ainda que chegado a Lisboa em meados de 1.973 tinha rapidamente obtido emprego e começado a labuta inerente a um chefe de família, pois tinha casado e tido uma filha ainda quando cumpria o serviço militar em Lisboa, filha essa que tinha apenas 15 dias quando da minha partida. Elucidava-o ainda que depois de quarenta anos de descontos me havia aposentado aos 60 anos com uma grossa penalização por não o ter completado os 65, e que agora, para pagar os desvarios de quem não reunia a mínima competência para governar e a quem nem eu nem nenhum português tinha autorizado a empenhar o país, me via espoliado daquilo que era meu e que havia comprado ao Estado com o meu labor.

Ele sorriu e respondeu-me o seguinte: nem te vou falar do meu Brasil pois tu és um bom conhecedor da nossa realidade. Quero lembrar-te que, tal como no passado, vocês vão encontrar uma solução. Afinal sempre o tem conseguido. No século XVI Portugal foi grande com as especiarias das Índias, no século XVII e XVIII continuou grande com o ouro e outras riquezas provenientes do Brasil, no século XIX e parte do século XX grossos benefícios colheram das vossas possessões africanas e nos finais desse ultimo século o dinheiro tinha corrido a rodos, primeiro com a venda de 500 mil toneladas de ouro que vocês guardavam afincadamente, parece que ainda têm 350 mil, e depois com a mina de fundos que foram recebendo da CEE. Agora há que ter calma pois vais ver que o círculo virtuoso não vai acabar.

Imitando o sotaque brasileiro apenas lhe respondi: SERÁ???

 

António Figueiredo

Benfiquista

Comentador desportivo na RTP