Monstros
Nos últimos tempos temos sido “assaltados” por notícias que em nada dignificam a juventude actual.
Acontece que tal como os filhos são o espelho dos pais também os jovens são um produto desta sociedade.
Primeiro foram jovens que fazendo uso dos mais baixos valores que a sociedade pode demonstrar se unem em grupo para agredir um colega de escola.
Violentas as imagens que nos foram dadas a conhecer em que um jovem era agredido, mas mais preocupante, na minha óptica, era o prazer que alguns sentiam quando estavam a agredir.
Os dias que se seguiram forma elucidativos da forma como a sociedade abordam estas situações.
Durante dias e dias as imagens foram sendo repetidas (apesar de já terem um ano) mas, até hoje, desconhece-se quais as medidas impostas aos participantes na agressão que tenham mais de 16 anos e possam ser objecto de condenação.
Certamente teremos uma pequena notícia daqui a uns a uns meses a dizer que o caso foi arquivado.
Sei do que falo. Em tempos uma das minhas filhas foi agredida.
Fiz a respectiva participação (mesmo contra a opinião dela) com identificação da agressora e sabem o que aconteceu? Recebi uns meses mais tarde um postal a comunicar-me que a queixa tinha sido arquivada.
Avancemos.
Uns dias mais tarde tomamos conhecimento de que um rapaz de 17 anos tinha assassinado um outro colega com 14 anos apenas.
Violência, demasiada violência para um puto de 17 anitos, que pegou numa barra de ferro para matar um inocente!
Segundo lemos, no relatório Anual da Segurança Interna, a delinquência infantil foi a que teve maior aumento, mais de 23%, num ano em que esse mesmo relatório nos dá a conhecer que a criminalidade diminui.
Sempre houve juventude “parva”, alguns sem culpa absolutamente nenhuma, mas ultimamente temos assistido a demasiado episódios de violência.
O desemprego é uma das causas da falta de “objectivos” dos jovens actualmente, mas não podemos desassociar a falta de carinhos e de uma família com que alguns jovens hoje em dia sobrevivem.
No início do concelho de Odivelas, fiz parte (já agora para que conste a titulo gracioso) da Comissão de Jovens e Crianças em Risco e sei bem o que vi o que senti e o que fiquei a saber.
Muitos destes jovens de hoje foram usados pelos pais, sem escrúpulos, para eles progenitores receberem subsídios da Segurança Social.
Sei bem o que vi e sei como muitas vezes fomos recebidos.
(Artigo e intervenção de ontem na Rádio Cruzeiro)