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Segunda-feira, 18 de Janeiro de 2016

Uns são filhos outros são enteados

Muito se tem falado e escrito a propósito da aplicação das 35 Horas aos empregados do estado.

Pergunto, desde já, porquê só aos empregados do estado?

Os empregados do sector privado não o merecem?

Não é de agora que escrevo umas linhas denunciando o facto de uns trabalhadores (os do privado) não serem tratados como os trabalhadores do sector publico.

Ainda não passaram muitos anos quando os trabalhadores do sector publico se podiam reformar 4 a 5 anos mais cedo do que os trabalhadores do sector privado.

Mais, havia inclusivamente o factor “tempo de trabalho” onde os funcionários públicos podiam se reformar com 35 anos de serviço e os do privado só com o limite de idade.

Alguém viu alguma vez uma central sindical levantar a voz contra estes dois pesos completamente diferentes? Não pois não?

Aliás, deixem-me partilhar com vocês algumas atitudes “engraçadas”: a concertação social serve para o que convêm não havendo uma linha orientadora, séria e ética pois se tal acontecesse era lá que as 35 horas deviam ser estabelecidas e não na Assembleia da Republica.

Desde sempre e como trabalhador por conta de outrem, já lá vão 45 anos, sempre defendi que os direitos deviam ser iguais para todos independentemente de sermos do público ou do privado.

Como posso ficar “mudo” quando vejo que o valor médio das reformas no sector privado é quase metade do mesmo valor do sector publico? Só recentemente foi feito algo para que os trabalhadores neste campo sejam tratados da mesma forma.

O problema é que nunca se vai ao encontro das melhores práticas pois colocaram-se os trabalhadores do sector publico com os mesmos princípios do sector privado quando o desejável era precisamente o contrário.

Como posso ainda hoje perceber que um juiz (neste caso uma juíza……) do Tribunal Constitucional se tenha reformado com 10 anos de actividade e com menos de 40 anos?

É vergonhoso que TODA a classe política nada faça, para alterar estes princípios que ofendem quem trabalha.

É normal ainda que juízes, policias, militares ou médicos tenham um tratamento diferenciado no âmbito da Administração Publica?

É normal que para alem destas destrinças também elas existam, na função publica, entre trabalhadores que desempenham a mesma função tendo em conta a data em que foram admitidos? Não me parece normal!

Deixem-me, para finalizar, partilhar com vocês o preâmbulo da proposta do Governo a propósito da implementação das 35 Horas: “ Fomentar uma maior conciliação da vida familiar com a vida profissional e visa salvaguardar direitos retirados unilateralmente aos funcionários públicos”!

Muito bem, mas quem trabalha no privado não deve também ter acesso a estes direitos.

Quando diferenciamos não estamos a melhorar estamos a criar barreiras estamos a dizer que existem portugueses de primeira e outros de segunda ou como diz o povo uns são filhos outros são enteados.

publicado por Tubarão às 22:50

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